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O festival que mistura Burning Man, Carnaval e O Senhor dos Anéis

  • Foto do escritor: Rodrigo Baena
    Rodrigo Baena
  • 13 de jul.
  • 4 min de leitura

Ultimamente tenho sentido uma vontade enorme de conhecer mais festivais e feiras culturais. Foi então que um amigo soltou uma frase que despertou minha curiosidade:

"Você precisa conhecer a Oregon Country Fair. É o festival mais legal que existe."


main stage of the festival

De repente, parecia que todo mundo ao meu redor estava falando sobre ele. Um amigo comentou que iria se apresentar no festival. Outra pessoa disse que tirava folga do trabalho todos os anos só para estar lá. Minha vizinha começou a contar histórias de quando frequentava a feira na época da faculdade.


Resolvi interpretar aquilo como um sinal (ou talvez eu simplesmente estivesse procurando uma desculpa para ir) e comprei os ingressos.


Os ingressos antecipados custavam US$ 45 por pessoa (cerca de R$230 reais) , além de US$ 15 pelo estacionamento (cerca de R$77 reais). Considerando tudo o que viveríamos lá dentro, achei um preço mais do que justo.


Um festival que nasceu em 1969


A primeira edição da Oregon Country Fair aconteceu em 1969, na cidade de Eugene, cerca de duas horas ao sul de Portland, no estado do Oregon, Estados Unidos. O objetivo inicial era arrecadar fundos para uma escola local. Mais de cinquenta anos depois, o evento se transformou em algo extraordinário.


Hoje, são:

  • 22 palcos

  • cerca de 960 expositores

  • dezenas de opções gastronômicas

  • artesanato, roupas e produtos feitos à mão

  • aproximadamente 45 mil visitantes todos os anos.


O próprio festival se descreve como uma experiência que nutre o espírito, celebra uma forma autêntica e artística de viver na Terra e transforma a cultura de maneira mágica, alegre e saudável.


Depois de passar um dia inteiro lá, posso dizer que essa descrição não é exagero.


bonecos do festival

A chegada


Cheguei numa sexta-feira pela manhã, já que algumas apresentações começavam às 11h.

Saí relativamente cedo de casa (sou brasileiro, então 10h da manhã ainda conta como cedo para mim) e segui viagem por cerca de duas horas.


O estacionamento era extremamente organizado. Voluntários indicavam as vagas enquanto acenavam e davam boas-vindas aos visitantes. Logo senti uma energia familiar.


Aquilo me lembrou muito o Burning Man (prometo escrever sobre essa experiência em outro texto).


Famílias inteiras caminhavam usando roupas coloridas, fantasias, chapéus e figurinos criativos. Parecia uma mistura de cultura hippie, carnaval, floresta encantada e circo.


Entrando em outro mundo

Na entrada percebi que meu ingresso deveria ter chegado pelo correio, mas nunca foi entregue. Felizmente, bastaram alguns minutos no atendimento para resolverem tudo. Entrei.


Depois da revista na mochila, fui recebido por uma enorme escultura de um dragão metálico de boca aberta. Foi como atravessar um portal.

As construções eram feitas de madeira, muitas incorporando galhos e troncos das próprias árvores. Algumas barracas tinham até um segundo andar com redes, bancos e espaços para descansar em meio à floresta. O caminho serpenteava por árvores enormes que nos faziam sentir personagens de O Senhor dos Anéis.


As pessoas usavam roupas inspiradas na Idade Média, couro, estampas coloridas, chapéus e acessórios artesanais. Eu fui vestido com uma roupa que havia usado no Burning Man: um kilt marrom, camiseta com uma baleia estampada e uma bandana colorida.

decoração incrível

A comida

A gastronomia merece um capítulo à parte. Tudo parecia preparado com carinho. Encontrei comidas de várias partes do mundo e sobremesas feitas na hora. Comecei com um taco de tofu recheado de vegetais.

Depois experimentei espetinhos de cordeiro acompanhados de salada.

Terminei com diferentes doces, incluindo um donut de chocolate sem glúten (não tenho restrição alimentar, mas fiquei curioso) e um delicioso suco feito com rosas e frutas.

Tudo absolutamente delicioso.


Música por todos os lados

Tive a sorte de assistir amigos se apresentando.

Johnny Franco e seu irmão Dom (filhos do Moacyr Franco, lembra?) arrancavam gargalhadas do público com músicas divertidas e performances cheias de humor.

Nossa amiga Jetty encantava todos com seu acordeão, usando loops para criar verdadeiras paisagens sonoras.


Havia tantos artistas que precisávamos consultar constantemente o jornal oficial do festival para decidir o que assistir.


Como só estaria lá na sexta-feira, tentei aproveitar o máximo possível. Em um momento me deitei na grama enquanto um pianista tocava sob as árvores. Em outro, participei de uma roda de tambores. Peguei um instrumento emprestado e comecei a tocar enquanto meus amigos dançavam entre pessoas completamente entregues ao momento.

Uma energia difícil de explicar


Tudo ali parecia um convite para desacelerar.

As pessoas sorriam.

Conversavam com desconhecidos.

Dançavam.

Criavam.

Celebravam.

É impressionante como um ambiente pode alterar completamente nosso estado emocional.

Saí de lá sentindo a mente mais leve e a energia renovada.


Um pequeno mundo paralelo

Na saída descobri uma pequena vila montada do lado de fora do festival.

Acampamentos, barracas e food trucks ocupavam toda a região durante aqueles três dias. Parecia que uma pequena cidade surgia apenas para celebrar. Pessoas de vários lugares viajavam até ali para encontrar amigos, reunir a família e viver essa experiência.


Foi exatamente isso que fiz.

E já estou contando os dias para voltar na próxima edição!



Tags: Oregon Country Fair 2023, Oregon, Festival, Estados Unidos, Rodrigo Baena, Viagens, Experiências, Comunidade, Felicidade, Cultura.

 
 
 

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